Otimizar fluxo de caixa: saiba como otimizar com a antecipação

Otimizar fluxo de caixa: saiba como otimizar com a antecipação

“A antecipação é a maneira mais fácil de um estabelecimento (online ou offline) financiar sua operação – é, talvez, a linha de crédito automática mais barata do mercado” – Daniel Bento, Diretor da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) referente a otimizar fluxo de caixa

Otimizar fluxo de caixa: a antecipação funciona

Com a antecipação, o varejista consegue fazer o adiantamento das transações realizadas com cartão de crédito em seu estabelecimento, otimizando o fluxo de caixa – normalmente, esse dinheiro só seria recebido dentro de 30 dias (no caso de compras à vista) ou em D+30, D+60, D+90 (em compras feitas de forma parcelada). Instituições financeiras como bancos, adquirentes e subadquirentes costumam oferecer esse serviço aos seus clientes – mas qual seria a principal diferença entre uma antecipação e um empréstimo?

Diferença entre as formas de otimizar o fluxo de caixa

A diferença  entre as formas de otimizar o fluxo de caixa- e uma das principais vantagens – é a taxa que incide sobre o recebimento antecipado. Nesse caso, o varejista tem descontado um valor encontrado por meio de uma fórmula de juros simples. Ou seja, a taxa varia conforme a quantidade de dias em que as parcelas são antecipadas. No empréstimo bancário, o cálculo é feito por meio de uma composição de taxas, o Custo Efetivo Total (CET). Nele, são somados todos os encargos referentes às transações de crédito, como a taxa de juros e o Imposto sobre Operação Financeira (IOF).

 

“Os adquirentes têm atuado praticamente como os bancos fazendo esse adiantamento, mas com a vantagem de não precisarem aplicar IOF”, destaca o Diretor da ABComm. Apesar da aparente facilidade de se realizar uma antecipação, Bento destaca que é necessário ter uma estrutura preparada para administrar o fluxo de caixa – por exemplo, com a adoção de um bom conciliador de recebíveis.

 

“Controlar essas antecipações não é tarefa para qualquer backoffice”, completa. “Imagine a complexidade de você ter que controlar a taxa do cartão, considerando o número de parcelas, somado ao desconto da antecipação, que varia de agenda para agenda”. O Diretor da ABComm lembra ainda que é necessário conectar aos casos de chargeback e de desistência do comprador.

Como se calcula uma antecipação?

A taxa de antecipação é uma taxa de juro simples, calculada a partir do valor líquido da transação – ou seja, quando já se descontou o MDR (taxa que o adquirente cobra pelo uso da máquina de cartão). A antecipação para otimizar o fluxo de caixa é calculada proporcionalmente ao período de tempo em que se está antecipando o volume desejado – se o varejista deseja antecipar seu volume de vendas em três meses, por exemplo, a taxa de antecipação será multiplicada por 3.

 

Exemplo:

 

Supondo que você faça uma venda de R$ 150,00 a crédito, parcelada em 3x de R$ 50,00 no dia 01/02. Vamos usar como exemplo a taxa MDR de 4%. Desse modo, cada parcela terá valor líquido de R$ 50,00 – (0,04 x 50,00) = R$ 48,00.Essa venda, sem recebimento antecipado, seria recebida nos prazos e valores:

 

01/03: 1ª Parcela = R$ 48,00
01/04: 2ª Parcela = R$ 48,00
01/05: 3ª Parcela = R$ 48,00

 

Total: R$ 144,00

 

Solicitando o recebimento antecipado pontual e supondo que a taxa de recebimento antecipado é de 4% a.m.; essa venda, com recebimento antecipado, seria recebida nos prazos e valores abaixo:
02/02:

 

1ª Parcela = R$ 48,00 – [(1 x 0,04) x 48,00] = R$ 46,08
2ª Parcela = R$ 48,00 – [(2 x 0,04) x 48,00] = R$ 44,16
3ª Parcela = R$ 48,00 – [(3 x 0,04) x 48,00] = R$ 42,24

 

Total: R$ 132,48

Quais os riscos de se fazer uma antecipação?

Se o varejista não tem conhecimento sobre seu próprio fluxo de caixa, pode acabar colocando em risco as operações financeiras de sua empresa ao antecipar – isso porque os adquirentes, por exemplo, não oferecem transparência sobre as parcelas de onde o pagamento está sendo antecipado, escolhendo sempre aquelas que geram mais lucro para eles.

 

Enquanto isso, na maior parte dos subadquirentes, o que se oferece é uma antecipação compulsória em D+15 – ou seja, o varejista antecipa todas as suas vendas a altas taxas, sem realmente ser necessário. “Uma outra pegadinha aqui é que muitos adquirentes estão antecipando toda a agenda futura automaticamente”, alerta Daniel Bento. “Fique de olho e só antecipe se você quiser.”

 

Algumas dicas para otimizar o fluxo de caixa

O Diretor da ABComm orienta que o varejista avalie diversos fatores antes de decidir antecipar – um deles é se a antecipação será feita apenas sobre as vendas já finalizadas ou sobre todas as vendas (porém, neste último caso, o controle dos cancelamentos deverá ser feito posteriormente).

 

É importante comparar também as taxas de antecipação dos diversos meios de pagamento, e não somente as taxas da bandeira do cartão, especialmente se a antecipação fizer parte da rotina do estabelecimento. E, por fim, ele aconselha que o lojista sempre peça a carta de circulação ao adquirente, para verificar o volume que ainda resta para ser antecipado.

 

Fontes complementares:
https://www.bcb.gov.br/pre/bc_atende/port/custo.asp
https://portalstone.zendesk.com/hc/pt-br/articles/205162053-Como-%C3%A9-o-c%C3%A1lculo-do-recebimento-antecipado-RAV-

 

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