Fim do boleto sem registro faz lojistas repensarem modelos de recebimento

Fim do boleto sem registro faz lojistas repensarem modelos de recebimento

O mês de dezembro vai representar uma mudança drástica para os varejistas online, sobretudo às mais de 40 mil micro, pequenas e médias lojas virtuais em todo o Brasil. Aceito em larga escala por vendedores e compradores, os boletos sem registro, que hoje representam algo em torno de 15% do comércio eletrônico brasileiro, deixarão de ser emitidos.

 

A transição para a obrigatoriedade da modalidade registrada tem o objetivo de garantir a segurança dos clientes. Por outro lado, a nova diretriz da Febraban também deve acarretar no aumento dos custos operacionais e gerenciamento de cobranças, pegando muitos empreendedores desprevenidos.

 

Hoje, o lojista virtual paga cerca de R$ 3 nos casos de boleto sem registro, mas somente após o título ser quitado pelo seu cliente. É vantajoso, já que, caso ele apenas seja emitido e não seja pago, o empreendedor digital não tem nenhum custo.

 

Já no caso da cobrança com registro, a instituição bancária tarifa tanto a inclusão, como a alteração e a baixa do boleto, com ou sem o pagamento. Sob essa perspectiva, os custos do boleto com registro podem ser triplicados em comparação ao boleto sem registro. Da mesma forma, o próprio boleto pode indicar que, em caso de não pagamento, ele poderá ser protestado em cartório, mesmo não sendo considerado um título de crédito.

 

Ou seja, a partir de janeiro, o lojista virtual terá que arcar com os custos pela emissão de cada boleto. E vale lembrar que, no e-commerce brasileiro, 50% dos títulos emitidos nunca são quitados – os internautas desistem da compra ou simplesmente se esquecem de pagar. Além de não gerar receita, é uma despesa que pode impactar decisivamente nos negócios, principalmente em um momento de retração da economia. Isso sem falar na questão do estoque, já que quando o cliente clica no botão Comprar e o boleto é gerado, aquele produto fica reservado para o comprador até que o título seja pago.

 

É importante destacar a importância do boleto bancário para o comércio eletrônico nacional. Essa forma de pagamento permitiu com que muitos compradores sem cartão de crédito ou sem confiança de inserir os dados bancários na loja virtual tivessem uma alternativa e conseguissem efetuar os pedidos na internet. Agora, com a nova medida da Febraban, os lojistas precisarão repensar os modelos de recebimento.

 

Por Ricardo Laureano Siqueira, fundador e CEO da KOIN.

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