Os empreendedores da crise

Os empreendedores da crise

Este artigo foi retirado da revista E-Commerce Brasil, edição 31. Fevereiro de 2016; escrito pelo Diretor de Marketing e Vendas da Dotstore, Rafael Issa.

 

Consultores, agências de marketing digital, plataformas de e-commerce entre outros profissionais de e-commerce precisam dar atenção especial a uma nova geração de empreendedores digitais, os chamados “empreendedores da crise”.

 

São pessoas afetadas, de uma forma ou de outra, pela crise que vivemos hoje. Eles são atraídos pelas poucas áreas que apresentam crescimento no país, como o setor de franquias e o e-commerce, que ainda cresce dois dígitos ao ano.

 

Tipos de empreendedores

Para entender melhor, podemos segmentar esses empreendedores em alguns grupos:

 

– Empresários do mundo físico que estão com os seus negócios estagnados, sem perspectiva de crescimento, e querem montar um braço virtual para expandir seu mercado;

 

– Empresários do mundo físico que estão com os seus negócios estagnados, e querem montar um segundo negócio, dessa vez virtual, em uma área diferente da que atua originalmente;

 

– Pessoas que acabaram de se formar e que preferem montar um e-commerce a procurar emprego em empresas tradicionais, que estão com escassez de vagas de trabalho;

 

– Pessoas que perderam seus empregos em empresas e indústrias tradicionais, e querem empreender utilizando o dinheiro ganho em suas rescisões. Um exemplo clássico é daquele metalúrgico que a vida toda fez o mesmo trabalho e ficou desempregado. Como não adianta procurar emprego em outra indústria metalúrgica, já que todas estão demitindo, não resta alternativa a não ser iniciar um negócio próprio;

 

– Trabalhadores que, sem perspectivas de promoção e com o fantasma do desemprego à solta, querem montar um negócio para trabalhar em tempo parcial, e aumentar sua renda.

 

Esses são apenas alguns tipos, mas o que temos notado é que a quantidade de pessoas interessadas em montar projetos de e-commerce vem crescendo bastante.

 

O problema é que esses empreendedores em sua maioria vêm de áreas que nada tem a ver com o e-commerce, e são muito carentes de informação e de apoio profissional. Muitos vêm com uma ideia sobre como montar um e-commerce muito diferente da realidade.

 

A crise impulsiona o e-commerce

Uma coisa que nós não podemos negar é que a crise tem sim impulsionado o e-commerce, já que as empresas estão enxugando custos e revisando todas as compras de insumos e matérias primas necessárias ao funcionamento dos seus negócios, e pesquisar preços e novos fornecedores na internet tem se tornado parte dessa rotina. As empresas preferem pagar mais barato pela internet, mesmo que seja necessário aguardar alguns dias a mais para receber.

 

Por exemplo, uma empresa que comprava dez toners de impressão por mês na loja da esquina por R$50,00 cada e tinha a facilidade de levar o produto na hora, agora compra de forma planejada e inteligente, pagando R$25,00 por cada toner na internet, mesmo precisando aguardar o prazo dos correios, para assim economizar 50%.

 

O mesmo acontece com as pessoas físicas, que pesquisam bastante antes de adquirir qualquer produto, e frequentemente tem dado preferência às compras online. Veja o sucesso das promoções da Black Friday, que somente na edição de 2015 cresceu 57% em relação ao ano anterior.

 

Atendimento self-service x personalizado

Mas voltando aos novos empreendedores, é fundamental que eles tenham apoio profissional desde o início de seus projetos, tanto na parte de análise de mercado, planejamento, passando pela escolha da plataforma, integrações necessárias, personalização de layout, marketing digital, e principalmente no treinamento e certificação da equipe que irá gerir o futuro e-commerce.

 

Quando falamos de projetos de e-commerce, precisamos cada vez menos de serviços do tipo “faça você mesmo”, no qual o empreendedor precisa se virar sozinho na hora de criar a loja virtual, executar sozinho o plano de marketing e inicia muitas vezes sem conhecimento, diminuindo significativamente a chance de sucesso.

 

Ao invés disso, precisamos oferecer um atendimento consultivo e personalizado, entendendo as ideias e necessidades desses futuros lojistas, para fazer o planejamento correto, oferecer as ferramentas certas, definir as métricas e traçar metas que realmente farão a diferença.

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